Se de um lado o mercado da Realidade Virtual (RV) parece ter estagnado, o que levou importantes empresas de tecnologia, como a Sony e a Oculus — que pertence ao Facebook —, a baixar os preços de suas unidades numa tentativa de torná-las mais atraentes para o público, de outro, o mercado da Realidade Aumentada (RA) parece pronto para decolar.

Tal é a constatação da International Data Corporation (IDC), serviço de consultoria em inteligência de mercado que afirmou, num estudo recente, que os headsets de RA devem “experimentar um crescimento exponencial” no período de 2019 a 2021. Segundo o estudo, no final do período considerado na previsão (2020-2021), a RA terá conquistado “um quarto do mercado”, totalizando uma receita de mais de 94 bilhões de reais em 2021, quase o dobro da quantia prevista para a RV.

Esse crescimento está sendo atribuído a uma série de fatores, incluindo o fato de que o preço médio dos headsets de RA é mais alto que o dos de RV, talvez porque os desenvolvedores de RA estejam voltados para o setor comercial, em vez de para o setor do entretenimento.

Igualmente, já estando viabilizada a RA para uma série de dispositivos móveis existentes, uma vez os aplicativos compatíveis com o ARKit da Apple e o ARCore da Google cheguem aos headsets voltados para o consumidor final, espera-se que a demanda por estas unidades aumente, já que os consumidores já terão tido a oportunidade de testar os aplicativos num dispositivo existente.

Segundo as previsões atuais, a RA e a RV representam, este ano, um mercado de cerca de 16,42 bilhões de reais no total, e espera-se que este valor aumente para até 511 bilhões de reais em 2020, valor mais de 30 vezes superior ao atual. Em comparação, a participação da RV no setor deve diminuir para apenas 25%, também em 2020. Com essas previsões, é fácil entender por que as empresas começaram a afastar o foco da RV e a direcionar mais recursos que nunca para o desenvolvimento da RA.

O Facebook, dono do Oculus Rift, revelou seus planos de se afastar da RV por meio de uma plataforma de desenvolvedor criada para ajudar as empresas a construir recursos de realidade aumentada para as câmeras internas do Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp. Outras empresas, inclusive de pesquisa médica, pretendem usar a RA como ferramenta educativa para estudantes que normalmente não teriam acesso a certos recursos.

O interesse da indústria dos jogos e do entretenimento também cresceu. Com a experiência de jogo com dealer (crupiê) ao vivo, já oferecida pelo setor dos cassinos em jogos como Roleta e Blackjack, muitos operadores online do setor estão analisando a RA com mais profundidade para oferecer uma maior imersão dos que jogam em casa numa experiência mais real do que nunca. Embora sua tecnologia esteja pronta para decolar, o que o futuro da RA trará permanece incógnito.