As loot boxes foram um dos temas principais de polêmica no mundo dos videogames no final do ano passado e ao longo desse semestre que está terminando. O problema surgiu junto com vários relatos de adolescentes, e jovens adultos até, gastando pequenas fortunas de forma descontrolada. A opinião pública internacional começou se apercebendo que o mecanismo atuava de forma demasiado agressiva junto de seus potenciais clientes, que eram levados a gastar demasiado dinheiro em itens para os jogos.

Polêmica: comparação a mecanismos de casino

Depois de várias denúncias de governos e órgãos de mídia a nível internacional, se criou uma onda gigante de indignação contra a loot boxes. Em alguns casos, já saíram leis classificando-as ao nível dos jogos que não são recomendados a menores, como os jogos de casino e mesmo as apostas esportivas em esportes populares, onde mesmo sendo o risco de adição menor, sempre se exige que um adulto seja o responsável.

Nos últimos dias, diversos órgãos de mídia internacional e especializada seguiram falando sobre o assunto. Veja três perspectivas diferentes.

Forbes: as loot boxes estão terminando

O artigo é de Paul Tassi e a Forbes é sem dúvida uma das revistas de negócios e economia mais renomadas a nível mundial. Em seu mais recente trabalho, Tassi aponta que todos os principais videogames do momento retiraram suas loot boxes ou até usam o fato de não as terem como vantagem de venda. Pode se considerar uma perspectiva otimista: a pressão da opinião pública, junto com ameaças de intervenção dos governos, levaram a indústria a se autorregular.

Hardcore Gamer: os CEO não mudaram de ideia

No site Hardcore Gamer, um artigo publicado no dia 4 de junho se mostra bem mais pessimista sobre o tema. De acordo com o autor, Jacob Bukacek, os CEO das desenvolvedoras não mudaram de ideias relativamente ao conceito só porque a mídia e a opinião pública se mostraram mais críticas nos últimos meses. Numa perspectiva pessimista, a Hardcore Gamer aponta que os CEO estão olhando ao lucro que esse conceito veio rendendo nos últimos tempos e em formas de continuar com ele depois de “a poeira assentar”. Principalmente porque, em nossos dias, as polêmicas desaparecem tão rápido como aparecem, e é possível – na opinião de Bukacek, bem diferente da de Tassi – que em breve ninguém fale mais no assunto. Aí, as desenvolvedoras seriam livres para retomar versões das loot boxes um pouco mais disfarçadas.

Guardian: será preciso legislar?

Porém, contra a possibilidade pessimista da Hardcore Gamer, vem falar o jornal inglês Guardian, em um artigo do final de maio. O Guardian descreve o problema e conclui que poderá ser necessário que os governos e as autoridades estabeleçam medidas claras contra o conceito de loot boxes, como alguns países já vêm fazendo. Se esse for o caminho, é bem certo que o cenário da Hardcore Gamer não irá se concretizar – a indústria de videogames, gigante e respeitável, não está disponível para trabalhar na ilegalidade que nem uns operadores de cassinos ilegais.